sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Ilusão Branca - o último desafio da roda

Ilusão Branca - o último desafio da roda





Ilusão - a ilusão gerada pelo medo, ódio, raiva, cobiça e trevas é facilmente reconhecida, mesmo quando estamos tragados, sugados dentro dela. Como disse um sábio amigo: a ilusão é um véu transparente que de tempos em tempos percebemos que tudo esta errado. 

Hoje vou falar do último nível da roda sansarica: o chamado reino dos deuses, onde a vaidade, a falsa impressão de segurança e o conforto são o grande desafio do caminhantes da luz.

Chamo este último tipo de ilusão: de ilusão branca, pois nos da a falsa impressão de luz. Durante até longo tempo tudo parece certo e justo até que os guias tudo tiram. Ou como dizem no budismo, o "mérito" (palavra mal empregada) termina. Isso ocorre quando não ouvimos os sinceros clamores de nosso coração e optamos por algo errado. Senpor dinheiro, conforto, medo de se expor, social, carência, medo de solidão; ou porque corrobora com algo errado que fizemos, nos dando o falso conforto da razão. Quando temos uma imagem teatral publica que se nutre de vaidade, mas na intimidade não somos nada daquilo.

Isso ocorre em casos extravagantes com pessoas que batem nos seus familiares e publicamente são amáveis. Mas este nível de ilusão dos deuses também é de forma sutil, nos levando, dia a dia para a carta da torre do tarot: uma grande decepção e queda na roda ao invés do estado iluminado, para que através da queda mudemos o que estávamos relutantes em mudar.

Observo isso nas escolhas de relacionamento quando ficamos com o que é confortável e conhecido mesmo que nosso coração diga que não.

No dia a dia das aparências onde usamos a máscara social ou educado para gerar ilusões que até nos mesmos chegamos a acreditar.

E na mediunidade? Aqui as coisas são complicadas e responsáveis por erros de tradução em textos sagrados, escritas cheias de pompa que distorcem em muito os textos originais dos guias, transforma entidades de sombra em luz ofuscante, gera fanatismo, mentiras sem fim, leva-se a massa que quer que Deus ou algum mestres seja deste ou daquele jeito para não precisarem evoluir a seguir, e esbarramos na última prova: sair da zona de conforto. Kwan Yin que atua neste nível se chama Nagyni Kanon. Sua grande virtude é prover tudo o que se tem em mente, tudo. E observar se vamos seguir sinceramente nosso coração, desapegando de nosso conforto dos ultimos desejos de quero isso quero aquilo. É um filtro e tanto.

Chagdud Tulku contava sobre o mestre bêbado. Um discípulo detestava seu mestre bêbado, não reconhecendo o grande mestre que tinha pois não queria admitir o humano nele, que tinha algumas tristezas e as afogava na bebida. Tanto reclamou que foi ser discípulo de outro mestre que condizia com o que ele achava ser o certo em sua postura rígida. Passaram se anos e não
aprendia da técnica que desejava. Um dia muito frustrado foi ter com o novo mestre e perguntou porque não passava para o ultimo nível da técnica. - Ah...- iniciou ele - eu nunca tive esta última parte, só ensino os alunos básicos. - Mas você é tão perfeito! - exclamou o discípulo. - Mas nunca fui a fundo nesta técnica, não me interessei por isso. Você deveria ter procurado o velho mestre do mosteiro do qual saiu. - Completou o mestre. - Mas aquele velho era um bêbado! Mestres não bebem! - Quem disse? - perguntou o mestre. - Buda! Respondeu o discípulo. -Buda disse o que não se deve fazer, mas jamais falou que um mestre não existiria só por não seguir os preceitos que pregou. E seu mestre dominou a técnica que quer ao nível mais profundo, mesmo que não tenha tanto interesse pelo mundo físico e suas dores, incluindo as dele. - Porque não volta pra ele? pergunta o mestre novamente. - Porque ele já faleceu, nestes tantos anos que estou aqui. - responde o discípulo, baixando a cabeça e se retirando.

Então pense, medite e observe quantas vezes você foi contra o que seu coração avisava somente para ter razão ou porque queria que alguém fosse o que não era ou porque era mais fácil ser como lhe ensinaram ou a sociedade estabeleceu, ao invés de ser você mesmo. Quanto amor ja falou que tinha mesmo tendo o peito fechado, quanta ilusão já gerou em outras pessoas por necessidade? Ou quantos relacionamentos já viveu sem amor, mas por carência, comodismo ou fuga. Iludimos, mas não gostamos de ser iludidos. Se você diz a frase: - eu sempre acabo me frustrando pois aposto nas pessoas e elas me enganam. Acho que todos devem ser bonzinhos. Vc não aceita ninguém mas pinta todos de amarelo.

Apenas temos o ego de querer que todos sejam bons ou nos achamos tão especiais que achamos que conosco a tal pessoas que todos avisaram, não iria fazer o mal ou somente para nós ela vai se redimir, mesmo quando ja nos fez mal inúmeras vezes.

Sei que o texto ta longo mas preciso colocar uma ultima coisa.

Quando a ilusão está na prisão do bem. Algumas pessoas simplesmente são ótimas para nós, insuportavelmente maravilhosas, doces, dedicadas e de alguma forma parece que sabem que não as amamos, mas na maioria das vezes parece que estão tão encantadas conosco que somos uns monstros se a deixarmos. Ou somos loucos tendo "tudo" e ainda estarmos infelizes. Vejo todos os dias pessoas serem maravilhosas sabendo que o outro não os ama, como uma atitude que parece louvável pois parecem amar tanto a outra, mas não, é uma atitude pensada e esta longe de se basear em amor, no máximo na ilusão do quero ou preciso. E num ultimo nível, ainda tem a ilusão do sacrifício do próprio eu pelo dedicado ser ao lado. Uma forma terrível de ilusão que inevitavelmente leva a infelicidade e trava o processo de ascensão e iluminação. Isso vale para empregos, relacionamentos sociais e familiares, caminho e pratica espiritual.

Amados, escrevi este texto porque o tema tem se mostrado com frequência, principalmente nas queixas que temos contra a ilusão política e porque me entristece ver seres que estavam a passos largos na evolução espiritual se perderem ou "morrerem na praia". Meditem todos sobre isso. É realmente importante. Também observe sua reação emocional ao ler este texto.

Com amor

Sensei Gabriela Irigaray Yasoha

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